Relaxamento para a dança ...e para a vida !

 

 

Antes de qualquer dança é importante estarmos relaxadas, o próprio alongamento preparatório é altamente relaxante. Por que?

A alternância entre esforço e descanço presente no Hatha Yoga é altamente relaxante. Quanto fazemos as posturas de alongamento, permanecendo alguns instantes, tomando respirações profundas e desfazemos a postura em seguida para repetir do outro lado ou passar para a próxima postura, estamos na verdade praticando a premissa básica do Yoga e que é muito antiga: alternância entre contração e soltura provoca relaxamento profundo. Então antes de pensar em dançar sem alongar, lembre-se que muito mais que uma preparação corporal o alongamento é uma preparação artística e pode ser uma prática mística, espiritual. Traga a consciência para a sua respiração. Inspire profundamente e deixe o ar sair suavemente, veja onde estão os pontos de tensão, se o diafragma está tenso. Se for preciso, repita várias vezes. Até sentir que está presente no aqui e agora, que sua mente está calma e alerta, presente. Sinta a sua alma aqui, habitando seu corpo. Então comece o alongamento com a intenção de aumentar o conforto físico e a sensação de bem-estar que a presença da alma traz.

Começamos a fazer esta pausa entre todas as nossas atividades, isto é inteligência corporal e também chama-se espreguiçar. Dar uma pausa é muito importante principalmente quando ficamos numa mesma posição por muito tempo (como esta que vos escreve em frente ao computador por horas...acabando este artigo vou tomar uma água, respirar um pouco, espreguiçar e voltar a sentir meu corpo bem!) Quando não conseguimos acessar este bem-estar, esta sensação de conforto, pode ser que a mente esteja atrapalhando. Acredito que observar o nosso estado mental é um comprometimento diário importante para a Nova Era. Percepção do corpo e da mente em harmonia é uma meta do ser humano totalmente capaz de ser atingida, pelo menos a de perceber se está bem, se o corpo está confortável ou se é preciso mudar de posição, se mexer e reestruturar a postura, como os animais são capazes de fazê-lo, ora bolas! Naturalmente! Se não estou conectada com meu corpo, minha mente também bloqueia, consequentemente. Observo, por exemplo, se não estou muito crítica ou exigente e se as críticas são produtivas ou se, no fundo, estão é atrapalhando o processo, seja ele qual for: o trabalho no computador, livro ou texto que esteja escrevendo; a arrumação e organização da casa e das rotinas diárias da vida familiar; a implementação de novos sistemas na empresa, laboratório ou escritório; na nossa dança, no corpo ou na capacidade técnica do corpo em executar as manobras mirabolantes que as vezes cismamos de fazer! Acho ótimo ambicionarmos evoluir e desenvolver para melhor porém devemos cuidar para que isso não se torme uma eterna insatisfação. Sei que posso melhorar mas também sei aproveitar a minha dança como ela é, com prazer! Este raciocínio é mais produtivo e libera a mente para estar no presente, uma vez que não vamos melhorar na véspera da apresentação ( não tecnicamente, já que é preciso tempo + repetição=dedicação ) e não precisamos nos preocupar com isso agora, teremos tempo para treinar em ensaios futuros, mas não agora. Agora é hora de curtir, de aproveitar o que já ensaiamos e treinamos no passado e, ... colher os frutos! O atleta não bate seu recorde na véspera do campeonato....

Então na próxima vez que for se apresentar deixe a alma inteira habitar todo o corpo, sinta- se viva por completo, em absolutamente cada célula. Se a caso não estiver conseguindo, recorra a inteligência corporal e faça o alongamento. Respire profundamente, solte bem o corpo entre uma postura e outra, e não adianta pré-ocupar-se agora, dever cumprido é a melhor estratégia, ensaiou ou treinou a técnica antes, preparou seu corpo? Pronto. E isso serve para tudo, apresentar uma palestra ou trabalho, teatro, prova, competição esportiva, enfim para a vida. Se fiz minha parte antes, sem exagerar para mais ou para menos, sempre dentro da zona de conforto, saindo um pouquinho só a cada vez, mas sem criar um incômodo muito grande. Não quero viver para sempre na minha zona de conforto, mas quero superar meus limites dentro de uma margem saudável. Este equilíbrio é fundamental para corpo-mente-espírito: o corpo permanece inteiro, livre de grandes estragos ou patologias; a mente exige um pouco como de custume mas também fica satisfeita pois houve empenho e assim consegue relaxar...

O espírito, bom ...este é o cerne, a fonte do verdadeiro prazer!

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