Um fim de semana com Ansuya Rathor "in Rio".

Conhecendo melhor a Cidade Maravilhosa! Conhecendo melhor Ansuya!

Assim que Ansuya chegou ao Rio, me reconheceu da Turnê passada no Brasil, em Porto Alegre, onde nos conhecemos e ela me chamava carinhosamente de Miss Rio de Janeiro. Eu não estava na produção do evento, mas como falo inglês fluente e já conhecia a Ansuya pessoalmente, além de ser fã....me ofereci para ajudar. Levei Ansuya do aeroporto internacional, que é pertinho do meu studio, para o hotel, o Sheraton, onde sentamos em frente ao mar e tomamos um suco de manga.

Ansuya e seu "Kit básico de sobrevivência"

Ela estava maravilhada com a cidade, me perguntava tudo sobre o evento, como era a casa de show e quis deixar logo claro que não dançaria com Tony Mouzayek e banda ao vivo, nem que pedissem e que por favor não insistissem. Nada contra o Tony, claro que não, é simplesmente um cuidado que ela tem por já ter passado por situações chatas ao longo da carreira em turnês, tipo tocarem outra música que não a combinada, ou de alguma forma estenderem tanto o show afim de conseguir que ela dançasse mais. Então por uma série de pequenas coisas de alguns produtores, todos pagam o pato. Ansuya é assim! Ela já dançou tanto por ai a fora que agora tem umas reginhas básicas de sobrevivência que, para quem vê o contrato pode parecer estrelismo mas conhecendo melhor essa divertida mulher, logo se vê que não. Então pedimos a comida, lá no Sheraton eles servem a melhor pizza de vegetais que eu já comi, até tentei fazer aqui em casa e ficou parecida, depois eu conto a receita! Ansuya é vegetariana, não come nenhum tipo de carne, (as vezes come peixe) e diz que gosta demais dos animais para comê-los e ficou alimentando um filhote de gatinho faminto que estava por lá. "Lindo!" dizia ela e logo ele não saía mais do seu pé! Ansuya adorou a comida do hotel, disse que o hotel era maravilhoso mas nem sempre é tão fácil ser vegetariana e se alimentar bem durante as turnês. Pra gente que dança isso pode ser uma questão. Pensem só: você dança, gasta muita energia (porque ela gasta mesmo!) às vezes fica horas num evento, principalmente se for concurso e tiver banca (e ela já não é muito fã de concursos), até alguém vir e te servir uma pizza...cheia de linguiça calabresa, frango ou presunto, é melhor ficar só no refrigerante...depois de horas sem comer nada te largam no hotel e adivinhem só: a única opção para vegetarianos é batata frita ou pizza de mussarela. No dia seguinte toma café da manhã no hotel e come muitas frutas, pão de queijo, ok. Mas logo depois tem o workshop, são mais horas a fio de exercício "non stop" na área do evento ou academia de dança. Geralmente é oferecido um "coffebreak" sendo que dificilmente alguém pensa nos vegetarianos e se tiver alguma variedade é croissant de queijo. Novamente? Muitas vezes a bailarina não come direito, (ser vegetariana não significa necessariamente ser saudável) e emagrece ou come essas bobagens o tempo todo e engorda, sendo que fica fraca.

Ansuya e a Índia

Ansuya é uma mulher forte, mas seu biotipo físico é frágil. Constatamos que a constituição de seu dosha é vata-pitta. Eu estudo Ayurveda e pude fazer um diagnóstico rápido, ela queria saber por que já passou por sérios desequilíbrios em sua vida de bailarina. Dosha é uma espécie de biotipo ayurveda, a Medicina Tradicional Indiana e a Ansuya adora Yoga e Ayurveda assim como tudo que vem da Índia, seu pai tem descendencia indiana. Ansuya passou a praticar yoga depois de perceber que ficava muito debilitada durante as longas e extenuantes turnês. Foi quando desenvolveu plenamente seu estilo ímpar de dançar, passando a usar cada vez mais o corpo de uma forma ousada e depois de dançar ficava alguns dias literalmente acabada. Era bolsa de gelo no pescoço, pomada pra musculatura das costas, enfim, Ansuya não aguentava mais essa enfermaria pós dança e com a prática do yoga e do alongamento tudo se normalizou e ela pôde continuar desenvolvendo seu estilo agora incrementando o "fantastic floorwork" com lindas posturas de yoga e mudras.

Ansuya at the Sheraton Hotel :

 

Pontos Turísticos ou Natureza Deslumbrante?

A produtora do evento estava tão ocupada, não tendo tempo de estar com Ansuya por causa de evento de sábado, que deu graças a deus de eu ter me oferecido para levá-la aos pontos turísticos. Produzir eventos cansa mesmo, consome, eu mesma já produzi alguns e sei como é difícil às vezes fazer tudo, então convidei Ansuya para passar o dia seguinte comigo. Saí de lá e deixei Ansuya descansando, ela iria fazer seus abdominais depois e visitar as salas de ginástica e massagem do hotel. Combinamos que nos encontraríamos pela manhã, para aproveitar bem o dia e passear pelo Rio de Janeiro. Eu iria pra casa descansar bem, afinal teríamos um dia cheio amanhã e eu estava grávida! De qualquer forma seria muito bom pra mim essa ocupação e poder passar o dia fora, estava com a casa em obra, tudo uma bagunça e teria mesmo que acordar cedo com a batucada matinal dos pedreiros...

No dia seguinte, sabendo de nossa atribulada agenda repleta de compromissos e horários, resolvi levar uma malinha. Não queria ter que voltar pra dentro da Ilha na correria, pleno horário do rush, sexta-feira e ainda por cima grávida com a casa em obra! Joguei tudo que precisaria no carro e fui para o Sheraton buscar Ansuya. Chegando lá perguntei onde ela gostaria de ir, expliquei sobre os pontos turísticos os quais a produtora do evento nos indicou: o clássico Pão de Açúcar, Cristo Redentor e apontei para copacabana dizendo que para aquele lado ficavam as praias e pontos turísticos. Apontei para o outro lado, para a Barra, e expliquei que as belezas e praias naturais frequentadas pelos cariocas locais e os surfistas ficavam para lá. Fiz um resumo do Rio, mostrando as direções, e contei que bem no meio tinha a maior floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca. Ela ficou encantada. Mostrei também a ponte Rio-Niterói e disse que pra lá, no Estado do Rio, também existiam praias de beleza bem natural, cidadezinhas com cachoeiras e mata. Ela disse que queria conhecer tudo, mas que gosta mais de natureza mesmo e optou pela programação partindo pra Barra. Como tínhamos um jantar às 20h, iríamos descer pela Tijuca para ver a Floresta e quem sabe arriscar um banho nas Paineiras apenas se o tempo colaborasse, tanto o cronológico quanto o metereológico. Partimos para o que seria uma verdadeira aventura!

A orla do Rio de Janeiro pela Niemayer é absolutamente linda, paramos na Barra para uma água de coco e um sanduíche. Sentamos num quiosque e a produção nos ligou querendo reorganizar os horários do workshop enquanto tomávamos café na manhã: um eggcheesburger sem o hambúrguer (Ansuya é vegetariana, lembram?). Devido a uma procura por profissionais de fora da cidade a produção queria que eu perguntasse para Ansuya sobre a possibilidade de fazer o workshop que a princípio seria em dois dias, em apenas um. Ela respondeu que seria muito cansativo e que a carga horária ultrapassaria o limite de sua cota diária (aquelas regrinhas básicas de sobrevivência que citei no início da matéria). Mas como precisavam de alunas, a produção insistiu se não haveria nenhuma possibilidade de passar tudo para o mesmo dia, e o sábado seria somente dança. Ansuya respondeu que como no domingo ela já estaria na banca, o único jeito seria se ela apenas dançasse no sábado e o domingo ficasse apenas com a carga horária das aulas do workshop e da banca do concurso, não mais dançando para o público neste dia, mas deixou claro que não gosta de mexer no contrato uma vez fixado. Tudo bem, elas concordaram então que seria assim e eu, como já produzi eventos, previ que teriam problemas com o público de domingo mas Ansuya disse que a Produção teria que arcar com as consequências do novo acordo.

Fomos sentar na areia e a água do mar estava tão boa que arriscamos dar um mergulho, foi quando percebi que estava ali, na praia nadando com a Ansuya, incrível! Aproveitei pra conversar, perguntar todas as minhas curiosidades sobre ela e me convenci de que seria ela mesma a minha professora de dança a partir de agora. A Ansuya tem essa teoria de que a dança que hoje chamamos de bellydance nasceu na Índia na época do matriarcado, sendo irmã do primeiro sistema corporal que se tem registro, o Yoga. Eu já tinha escutado-a contar essa teoria hipotética sobre a origem da dança do ventre no workshop de Porto Alegre - RS, na 8° feira Harém, onde nos conhecemos. Eu também já tinha lido sobre isso em um artigo de sua autoria, pois já estudo e pesquiso Ansuya há algum tempo. Vou procurar este artigo e colocar um link aqui!

 

Orla do Rio até Prainha - Grumari

Insetos inesquecíveis!

Acabamos indo pela orla, de praia em praia, até que chegamos a Grumari. Foi muito bom deitar um pouco e sentir a energia da Ansuya, éramos duas Deusas nos recarregando ao Sol! Fantástico e nós duas sentíamos a mesma coisa! Foi muito especial, tirando o fato de um cara que ficava o tempo todo perguntando se ela era americana, pois nos viu conversando em inglês, e mesmo sendo um dia de semana, Grumari não é exatamente uma praia deserta...A certa altura, eu já estava até dormindo quando percebi um cardume, ou melhor, um enxame de .... abelhas (?) marimbondos (?) vespas (?) eu mesma não sabia o que era aquilo, pareciam pequenos marimbondos marrons, voando aos bandos bem em cima de nós! Foi uma loucura...a gente andando, tentando se mover, morrendo de medo, engatinhando e o cara perguntando "are you american?" nos entreolhamos perplexas e apavoradas e sem precisar combinar nada acabamos indo correndo pra água, mergulhamos a cabeça bem dentro d'água...pra ver se esses insetos sumiam! Eles continuavam perto de nós e finalmente fomos correndo pegamos as cangas e bolsas e nos enfiamos dentro do carro! Que alívio, nenhuma picada....mas a Ansuya tremia, chamava-os de abelhas e eu explicava que não eram abelhas e ela ficava com mais medo ainda pois se tratava, para ela, de algum inseto desconhecido da América do Sul!!!! Por final rimos muito, as gargalhadas e fomos embora. Ela só queria algums bebida sem cafeína, pra parar de tremer de tanta adrenalina. Eu nunca tinha passado por nada parecido, e nem ela...concluímos que "mamãe passou muito açúcar em nós duas", só podia ser...

No caminho de volta pro hotel Ansuya ouvia, no engarrafamento clássico do Rio, alguns carros de propaganda e imitava as palavras em português, carregando no sutaque: "sábado e domingo" ela repetia e eu ria muito! Coversamos e ela me chamou pra me arrumar no hotel, pois tinhamos um jantar marcado com a equipe da produção e com o Tony Mouzayek, no Al Khayam, restaurante Árabe do centro do Rio. Aproveitamos pra descansar um pouco e novamente a Ansuya fez seus abdominais antes do banho, checou seus e-mails, leu algo em seu livro enorme da "Lei da Atração" a coleção completa de Esther e Jerry Hicks, preparou o cd do show do dia seguinte e nos arrumamos e partimos.

No Hotel, prontas para a "night" ! Ansuya Rocks in Rio!

RestauranteAl Khayam

 

Assistindo a linda Zhara Li e Fabrício Dabke!

Foi uma noite muito divertida no Centro do Rio!

Meu Marido Fabiano , Ansuya, Eu e meu filho ( na barriga! )

Polêmicas no concurso!

No sábado eu ainda encarei o palco grávida, dançando véu duplo e snujs ao vivo com a banda do Tony Mouzayek. Não participei do concurso solo, mesmo sendo Ansuya na banca, pois minha proposta não é essa, além de estar grávida o que limita consideravelmente as possibilidades de movimentação, mas levei a Cia Caridade que, mesmo sofrendo injustiças por parte de um juri que desclassificou meu grupo na noite eliminatória do sábado pela minha gravidez, acabou levando o 2° lugar depois de muita confusão! Ficamos sabendo no domingo do ocorrido, que um jurado disse que não é permitido a mulher dançar grávida. Tivemos que improvisar um figurino no dia, pois não poderíamos ter sido desclassificadas por causa da minha gravidez se isso não era um item especificado nas regras do concurso e eu paguei pela minha inscrição e ela foi aceita, mesmo eu estando grávida. O assunto vazou (ansuya ficou pasma, já que acredita numa dança do matriarcado, que nasceu justamente em celebração a este aspecto feminino da vida e que a dança ajuda nos processos iniciáticos da mulher, o parto inclusive) Ainda tivemos que pedir as taças ao graçom, que entendendo a situação nos "emprestou" dez taças! Foi realmente muita emoção pra um só fim de semana...O vídeo desta dança está no Youtube:

A crítica de Ansuya aos nossos números coreográficos foi o melhor possível e realmente nossos estilos se afinam muito. Ainda conseguimos uma dedicatória dela no nosso troféu, o único de nossa Cia, pois foi a única vez em que participamos de uma competição. Já que realmente estudamos essa artista, achamos pertinente submeter-nos a sua avaliação e conseguimos um 10! no quesito originalidade, e pudemos ver também, segundo Ansuya, quais eram nossos pontos fracos. Finalmente, ficamos lisongeadas ao saber que, segundo ela, fomos as melhores da noite!

 

 

 

 

 

 

 

 

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